Com Essência


Navegar é preciso, bom senso também.

É claro que com o boom das midias sociais e suas múltiplas possibilidades, virou quase palavra de ordem uma marca estar nas redes.

Navegar nessa onda, contudo, pede um tiquinho de cautela ao definir o que se espera e o que se quer dessas novas midias. Estar por estar, porque o seu concorrente já tem 3 mil seguidores não parece a melhor justificativa. É importante definir os objetivos da marca, do produto ao entrar no twitter, ao criar seu perfil no facebook e, principalmente, compreender que as dinâmicas dessas tecnologias são totalmente diferentes de fazer propaganda. Por isso mesmo, pedem um comportamento novo para quem se aventura por suas marés de interação.

A palavra-chave é relacionamento. E se isso já é um belo desafio na nossa vida cotidiana, na realidade virtual este desafio permanece. Cativar, criar vínculos, estabelecer afinidade, fidelidade, trocar, participar. Se  a ideia é apenas disparar promoções e dados unilateralmente, melhor cair fora. Para criar uma presença forte nas redes é importante perceber que você, marca, é um individuo se relacionando com outro indivíduo. One-to-one. Comporte-se como tal, estando aberto a trocar, aprender, errar e acertar como qualquer mortal. E, atente: é preciso oferecer espaços verdadeiros de colaboração, troca e aprendizado.

Nada melhor do que um amigo, colega, que nos ouve, pede nossa opinião, se mostra presente na nossa vida e participa dela de forma significativa, agregando valor, não é mesmo? Pois a lógica é a mesma. Nada de adentrar sem pedir licença, sem se apresentar e ir conquistando espaço pouco a pouco. Pense nisso ao pegar carona nessa onda.

Navegue sim, é preciso, mas lembre-se de descobrir antes para que o seu barco está saindo dos portos.

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Essa tal sustentabilidade

 

Virou moda. Faz parte do grande espetáculo, senhoras e senhores.

Enquanto não se compreende que os desafios sociais pedem uma nova forma de interagir com os problemas, pedem uma nova postura nossa diante do nosso próprio caminhar, a gente vai assistir a ações ocas. Até bem intencionadas, mas sem base, sem suporte.
Intenção sem ação.

Apesar de achar até louváveis iniciativas como o SWU, me pergunto até que ponto aquilo realmente transformou alguma coisa.
O que aquilo quis dizer para o mundo? Como sensibilizou as pessoas? A meu ver, apenas reuniu gente, ganhou grana e cobrou caro por tudo o que ali se ofereceu. Ou seja: tanto pra tão pouco.

Enquanto isso, na sala de justiça, a forma que lidamos com o meio ambiente continua precisando ser ressignificada; tem muita gente ainda na linha da pobreza; e tantas questões insustentáveis que continuamos a ver e conviver não sairam da pauta.

A gente não quer só comida, também quer arte. Mas, usar a sustentabilidade como mote para algo que efetivamente não representa isso é oportunismo.

Precisamos usar todo esse poder estrutural e de midia para fazer as pessoas realmente pensarem e se comprometerem.
Chegou o tempo de arregaçarmos as mangas, questionar qual o nosso suficiente, que futuro queremos e o que faremos, na prática mesmo, para dar nosso dedo de cooperação na mudança que urge, ruge, enfim. E isso vai passar por mudar nosso comportamente. Vamos ter de abrir mão de alguns pequenos confortos se quisermos um mundo melhor.

Dizem que amar é saber renunciar. Talvez seja isso. Talvez estejamos no limbo entre não saber e aprender, de verdade, a amarmos uns aos outros.


Ser mais é estar mais

Sim, é verdade que andamos correndo contra o relógio. E isso parece bem normal.

Esta semana, resolvi remar contra a maré e desacelerar a correria.

Fui visitar a agência de uma amiga e passamos uma tarde agradável, com café, papo cabeça e cultura de paz. Não imaginei que isso coubesse dentro de publicidade, tema previsivel para o nosso encontro.

Como as agradáveis surpresas da vida, não faltou assunto para três mulheres de comunicação: uma publicitária que virou professora, uma RP que abriu uma agência e uma jornalista que defende o empreendedorismo feminino. Foi fantástico unir três olhares, reinventar formas de pensar a comunicação e seus desafios e os nossos próprios caminhos pessoais dentro disso.

O melhor foi que o tempo não foi impeditivo. Ao contrário: esteve todo o tempo a nosso favor. Transcorreu sem pressa, sem pressão.

Comunicação significativa é a que faz sentido para você e seus princípios. E para ela é preciso haver tempo. Já parou para pensar em qual o seu tempo disponível ou a sua disposição para isso? Esses momentos são capazes de te inspirar a ser alguém melhor ou aos outros a serem mais éticos e comprometidos com bons resultados em suas vidas. Isso faz ressoar, leva energia renovada ao mundo e o faz melhor para todos. Ações mínimas, efeito multiplicado.

Que muitas horas possam ser dedicadas a conexões como essas: horas de estar por inteiro e, por isso mesmo, ser mais e com muito mais significado.


“Do que se necessita de nós?”

Acabei de ler o livro do Kahane, Poder e Amor nas mudanças sociais.

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Dentre as muitas reflexões que essa leitura me propiciou, a que me fez pensar mais profundamente foi a declaração que entitula este post.

Diante dos desafios sociais, que exigem tantas habilidades, é comum acreditar que podemos ajudar e mudar as coisas conforme nosso conhecimento e nossas experiências.

Mas, carece de um questionamento honesto e humilde que direcione, de verdade, no que podemos contribuir efetivamente dentro desses desafios.

Sem sair do salto, costumamos impor ideias. Quando a preocupação não é fazer suas ideias acontecerem, mas resolver desafios, a postura é outra de abertura, aprendizado e crescimento.

Estou em estado de reflexão…

Com Essência


Colaborativos, sim!

cooperacao fofa 

Já defendo há algum tempo o valor e a importância de um trabalho colaborativo.

Busquei na sala de aula inspirar e examinar quanto de eficácia se pode esperar dessas ações e só tenho obtido bons resultados: mais engajamento, maior sentido de pertencer, mais criatividade, autenticidade e maior e melhor qualidade de entrega.

Isso me faz crer que os seres humanos apreciam essa forma de relacionar e atuar, mas estão, na sua maioria, desconectados. Fomos levados a crer que só a competição constrói. Que se eu esconder de você o que faço, te surpreenderei com meu talento e, assim, serei mais do que você.

Recentemente, experimentei um trabalho 100% colaboarativo entre 30 alunos e pude perceber que os resultados foram impressionantes para mim e, especialmente, para eles mesmos. O nivel de satisfação era outro, bem como a qualidade do que foi apresentado. Levados a partilhar sugestões com outros, a co-criar soluções, eles puderam exercer a escuta ativa, desenvolver a compreensão uns dos outros e replicar esse modelo fora da sala. Descobriram sinergias, interesses e desfios e perceberam que juntos somam muito mais. O resultado é que hoje, sem solicitar ações dessa natureza, eles já conseguem se organizar desse modo, buscando suas próprias soluções, seu jeito de conduzir colaborativamente as atividades.

Agora, penso em como multiplicar essas experiências. Não para provar que estou certa, na verdade não sei se estou. Apenas sei que para mim faz mais sentido. Mas a intenção maior é compreender novos desafios que esse espirito colaborativo possa trazer e que, certamente, nos levarão nível acima ao encontro de mais um pedacinho do nosso rico potencial criativo.

Por ora, apenas me sinto gratificada pelos resultados colhidos. Mais ainda pelos efeitos que vejo surgir um dia após o outro. Sigamos em frente!


Comunicação para causas sociais

Não acredito que seja possível fazer comunicação para causas sociais sem descer do salto.

 Chegar apenas com técnicas, olhando de cima e acreditando que se sabe de tudo, é uma cilada (muitas vezes corriqueira).

A experiência me mostrou que humildade, olhar apreciativo e compreensão das realidades são fundamentais para construir uma comunicação com essência, propósito e condição de provocar reais mudanças necessárias. Com essa atitude é possível oferecer as técnicas, além de desenvolver outras fruto dessa nova experiência de colaboração.

Tá certo que não há fórmula mágica. É um processo orgânico que vai se construindo, mas para transformar é preciso estar ao lado, nem acima, nem abaixo.

Outra coisa relevante é sensibilizar devidamente as pessoas para atuar no setor social. Tem muita gente entrando nesse campo em busca de vantagens e facilidades. Ironia ou não, ouvi isso algumas dezenas de vezes nas últimas semanas. E isso me trouxe, além de alguma dor de estômago, uma reflexão sobre a necessidade de proporcionar a essas pessoas oportunidade de conhecer tal realidade de perto, suas estruturas, porquês e qual a importância do papel dos que chegam para apoiar, bem como clarear sobre quais são suas responsabilidades.

 Cada dia que passa eu me convenço de que a comunicação tem, antes de tudo, uma tarefa educativa a desenvolver.


tempo, tempo, tempo…

 A gente sabe que o tempo hoje é escasso, que conquistar atenção das pessoas tem peso de ouro, mas ainda tem muita gente usando mal o tempo para comunicar.

Reuniões corporativas também comunicam, certo? Nem sempre. Muitas vezes, somos afogados no mar do PPT e salve-se quem faltar!

Como podemos melhor utilizar o tempo de uma reunião de trabalho em grupo? Fazer reuniões prévias em grupos menores, compartilhar uma agenda? Co-criar uma pauta coletivamente? Criar atividades de rodas de conversa? São tantas ferramentas produtivas que podem ser usadas para conseguirmos tempo de qualidade, mas, ainda assim, o caminho “clássico” do ‘fala que eu te escuto’ parece ser o atalho mais seguro (e menos efetivo, ao menos enquanto elemento de integração, o que parece ser a proposta desses eventos).

É preciso reinventar não somente espaços e ferramentas, mas também olhar para os próprios processos grupais sob novas perspectivas e sem medo de arriscar um jeito diferente de fazer o que precisa ser feito. O que não dá mais é para falar do novo e fazer o velho. Isso já era.

Sabe? Acho que precisamos derrubar de vez o medo de errar.

 


Colaboração sem cinto de segurança

Foi Thoureau quem disse que a felicidade só faz sentido quando compartilhada.

Creio que o mesmo vale ao conhecimento. De que valeria erigir um castelo de saber que não fosse acessível aos outros? Quando é possível dividir aprendizados eles se tornam maiores, podem ser somados, recriados, reinterpretados e ganham vida própria.

Percebo isso na sala de aula. A gente comumente ouve que quanto mais se ensina, mais se aprende. E é essa a natureza desse fenômeno: o saber se multiplica quando entregue à inteligência do grupo. Mas para isso é preciso se livrar de alguns mitos e posturas um tanto jurássicos:

  1. O professor é um facilitador da aprendizagem, não um detentor do saber;
  2. Cada pessoa tem em seu repertório pessoal algum conhecimento possível de ser compartilhado e enriquece todo o cenário
  3. O erro não é um pecado. Abrir espaços para o erro estimula relações de confiança nas pessoas e nos grupos
  4. Ser firme é diferente de ser rígido. Rigidez não combina com inovação. Fuja…
  5. É possível estimular comportamentos colaborativos continuamente e o melhor jeito de fazer isso é sendo o exemplo
  6. Ainda não sabemos lidar muito bem com o exercício da liberdade

As práticas da colaboração estão em claro desenvolvimento e ainda temos muito a aprender. Penso que o essencial agora é perdermos o medo de praticar colaboração abertamente e aprender com a prática. Acho dificil estimular colaboração genuína sem soltar as rédeas. E este é, sem dúvida, o grande desafio. Que surjam os desbravadores.


Quando amor e poder caminham juntos

Ontem, tive o prazer de conhecer um pouco das ideias de Adam Kahane, especialista em resoluções de desafios complexos empresariais e sociais. De forma bastante aberta e simples, Adam trouxe dois elementos aparentemente antagônicos para o mesmo espaço: Amor e Poder.

Foi muito bacana ouvir alguém falar da importância de trabalhar com as duas ferramentas para que existam soluções bem-sucedidas aos desafios da nossa realidade super-mega complexa.

Quando pensamos em poder, à mente vem a ideia de algo feito de forma autoritária ou insensível. Quando se fala em amor, logo vem a imagem das emoções e da doação. E é assim mesmo que acabam agindo, quando desacompanhadas uma da outra, tais ferramentas.

Adam falava que poder sem amor é abusivo e amor sem poder é anêmico. Gostei do modo simples como ele resumiu a questão e concordo que é preciso fortalecermos a parte mais fraca em nós.

Mas, qual é a parte mais fraca? Já parou alguma vez para se fazer esta pergunta?

Assim, acredito que seja esta uma oportunidade de reflexão sobre como vimos atuando em nossos trabalhos e na vida de forma geral: com mais poder ou com mais amor?

Cheguei a uma conclusão breve de que muitas vezes isso oscila conforme a situação, mas via de regra sempre temos uma das duas facetas mais desenvolvida naturalmente.

Levar essa visão combinada de amor e poder para dentro dos ambientes corporativos é, sem dúvida, o maior dos desafios, mas é preciso enfrentá-lo e fazer tentativas.

A comunicação é uma matéria-prima que serve a ambos: poder e amor. E estudar a forma como nos comunicamos (corporativamente ou pessoalmente) pode ser um passo revelador sobre para que lado da balança estamos pendendo.

Parece mesmo desafiador fazer tais esforços, especialmente quando não há garantias de sucesso no final. Porém, é exatamente aí que o trabalho se torna realmente significativo: quando você se torna capaz de arriscar o desconhecido por um ato de vontade pautada pela consciência. Neste ponto os aprendizados se estabelecerão: quando as garantias ficaram para trás e você caminha unicamente em companhia do seu objetivo, da sua coragem e da sua dúvida.

Muitos podem achar mais cômodo e fácil deixar tudo como está e não dar atenção a mais “invenções”, porém a realidade lá fora mais e mais exigirá de nós a habilidade de dialogar com ela.

O tempo de fazer a sua parte unicamente fez o homem gravitar em torno do seu próprio umbigo por muito tempo; a escolha de andar atrás de alguém fez as pessoas esperarem que os outros trouxessem as soluções, tal qual heróis da humanidade. É chegada a hora de pensar no todo, integrar o que está separado, desafiar as lógicas estabelecidas que polarizam pessoas, culturas e comportamentos e trabalhar pela integração e conexão delas.

Alguém disse que se você quer chegar rápido, deve ir sozinho, mas se quer chegar longe, deve andar junto. E não é justamente isto o que queremos?


Alheios nunca mais

“Só testemunhamos o que podemos afetar”.

Recebi por e-mail um texto simples com essa frase. Imediatamente me pus a pensar em todas as coisas que já presenciei, e como isso impactou a mim e aos outros. Pois sim, essa frase me tocou profundamente, como um despertar da letargia.

Não são apenas ações miraculosas ou palavras grandiloquentes que transformam, é muitas vezes um pequeno gesto ou o simples ato de ouvir e acolher alguém o suficiente para servir naquele situação.

Nos vemos comumente separados uns dos outros, talvez por isso nos esqueçamos do quão úteis podemos ser. E, especialmente, de notar que sempre poderemos dar algo a alguém que precisa. Na maioria das vezes, essas coisas não são materiais e, por isso mesmo, carecem apenas da nossa atenção e alguma intenção (boa, please!).

Impossível não pensar na comunicação dentro deste contexto e nas suas infindáveis formas de afetar positivamente os fatos. Existe mais do que propaganda, planos de marketing de guerrilha (ei, isso dá margem a outro post!), boletim de notícias catastróficas. Existe a comunicação capaz de educar, capaz de oferecer recursos para aprendizagens úteis à humanidade, transmissão de boas novas e estímulo a novas formas de viver, compreender e tocar o mundo que nos cerca.

É mesmo uma verdade tocante. Sim, podemos afetar tudo ao nosso redor. Resta escolher tocar ou não tocar ou, indo além, perscrutar com qual intenção faremos isso. Entretanto, fugir dessa evidência não será mais possível daqui por diante.